A festa mais alegre e colorida da Bahia, o carnaval, é também hoje importante vetor econômico que envolve e beneficia a economia formal e informal ao mesmo tempo. Para o turismo, o carnaval cria grandes oportunidades como a ocupação dos hotéis, serviços de transporte, alimentação e outros. Seu resultado tem um forte fator de repique e pode ser explorado o ano inteiro, graças aos mega shows e carnavais fora da época no interior do estado.
Salvador recebe no carnaval milhares de turistas que movimentam, junto ao folião baiano, milhões de reais todos os anos.
Histórico
Segundo Loiola e Miguez (1996), o carnaval teve origem no Entrudo, jogos e brincadeiras realizadas nos quatro dias anteriores a quaresma e que chegaram ao Brasil junto com os portugueses. No Brasil, o entrudo consistia numa guerra de limões, água, ovos ou farinha, uma brincadeira onde os menos favorecidos se divertiam e promoviam, algumas vezes, atos violentos e confusões. Mas havia também os grupos negros que levavam às ruas as danças e musicas africanos ou inspiradas na África. Essa festa era considerada desordeira e perigosa pela elite, pela imprensa e pela polícia que combatiam e tentavam acabar com o entrudo, por ser uma festa popular e de grande participação dos negros.
Em oposição ao entrudo, existiam na cidade do Salvador e nas principais cidades do estado, os bailes particulares realizados nos clubes ou nas mansões onde a elite baiana dançava ao som de polcas e óperas, ostentando riqueza nas roupas e jóias que usavam. Os pobres e os negros não podiam entrar nesses bailes onde a alta sociedade baiana se protegia da agressividade dos entrudos e imitava o estilo do carnaval europeu.
Essas duas situações criaram e mantiveram por muito tempo o carnaval dividido por classe e raça. Os pobres e negros eram mantidos na periferia da cidade enquanto os ricos se divertiam nos mais atrativos pontos e festas da cidade.
Nos últimos vinte anos do século XIX o carnaval começa a substituir o entrudo, dando aos festejos de rua características européias e elitizadas. Foi organizada uma campanha promovida por setores da sociedade como polícia e imprensa, para a mistura dos dois estilos de folia que resultou em uma festa particular. O novo carnaval era mais organizado que os entrudos, quase tão luxuosos como os bailes e mais coletivo que os dois. Na verdade houve uma elitização do carnaval de rua.
Essa mudança foi marcada pela ocorrência de desfiles carnavalescos promovidos e patrocinados pela burguesia comercial local. Esses desfiles transformaram o povo em mero espectador de carros alegóricos e luxuosas fantasias que tomavam, aos poucos, o lugar das brincadeiras do entrudo. São desse período três famosos grupos carnavalescos da alta sociedade baiana: Fantoches da Euterpe (1883), Cruz Vermelha (1884) e Inocentes em Progresso (1900). Estes blocos e outros que começaram a surgir, brigavam pela preferência dos populares apresentando roupas e carros cada vez mais luxuosos em desfiles organizados até em temas específicos. Esses desfiles resistiram até o inicio dos anos 60 perdendo, aos poucos, lugar para o carnaval participativo da Bahia.
Com o tempo, o carnaval de rua das elites foi substituído pelos grupos de foliões organizados e afoxés que forçaram a elite a voltar para os bailes de clubes e mansões. Então, as ruas voltaram a ser ocupadas pelos grupos pobres e mestiços como na época dos entrudos. A volta dos grupos negros ao carnaval e seu crescimento em participação , antes suprimidos pelos grupos carnavalescos, caracterizou a fase chamada de africanização do carnaval. Dessa forma, os negros nagôs organizaram o primeiro afoxé do carnaval baiano, o Embaixada Africana, seguidos dos Pândegos da África. Os grupos negros desfilavam mostrando as roupas, músicas e costumes africanos.
Esses grupos foram duramente criticados e perseguidos pela elite por meio da imprensa e da polícia que chegou a proibir qualquer manifestação da cultura negra acompanhada de tambores. Mas os afoxés persistiram em sobreviver às proibições e restrições, tornando-se símbolos da resistência negra contra o preconceito social e racial em Salvador.
Além dos afoxés também ocupavam as ruas as batucadas, espécies de orquestras ambulantes, que puxavam ou comandavam blocos e cordões de foliões organizados, os antecessores dos blocos de trio elétrico.
O carnaval de 1950 apresentou a mais importante inovação da festa baiana, que modificou completamente sua estrutura, dando-lhe as características tão particulares que lhe levaram ao sucesso. Em 1950, Dodô e Osmar, criaram o precursor do trio elétrico, um carro cheio de auto falantes ligados a instrumentos elétricos, chamado fobica, que tocava frevo pernambucano e movimentava os observadores. Eram chamados de "dupla elétrica", mas um ano depois a adesão de Aragão formou o "trio elétrico" - Dodô, Osmar e Aragão, nome que é dado hoje ao caminhão que carrega a banda a tocar pelas ruas da cidade.
O trio elétrico provocou uma revolução na festa de rua criando uma nova forma de brincar o carnaval: pular atrás do trio, dançando com movimentos livres e simples e ao mesmo tempo caminhando pelas ruas por onde o trio elétrico fosse passando. A partir de então, começou a ter fim o carnaval divido racial e socialmente, que separava ricos de pobres, negros de brancos, centro da periferia da cidade. O trio elétrico promoveu a conquista da rua, tornando-a comum a todos, um espaço igualitário onde não cabe a segmentação socio-racial. No entanto, o trio elétrico diminuiu a participação dos afoxés, superando-os em preferência junto ao folião. Durante algum tempo, trios e afoxés nem mesmo se encontravam e pouco se respeitavam nas ruas.
Segundo Loiola e Miguez (1996), é com o trio elétrico que o carnaval ganha características comerciais que marcaram a realização da festa, desde então. Por exemplo, o trio elétrico tornou-se um excelente veículo de propaganda e atraiu patrocinadores desde o ano de 1952.
Nos anos 70, o renascimento do Afoxé Filhos de Gandhi, fundado em 1949, marcou a volta dos blocos negros como importantes pecas na festa heterogênea do carnaval de rua em Salvador. Logo os blocos afros tornaram-se, junto com os trios elétricos, importantes símbolos do carnaval baiano, conhecidos e admirados pelo mundo inteiro.
A partir da metade dos anos 80, com o surgimento dos blocos de trio, o carnaval baiano adquire contornos de sua configuração atual, Torna-se uma grande fonte de emprego e renda para a população e passa a ser visto como um grande negócio pelas instituições públicas e privadas que se desenvolveram à sua volta.
Os blocos privatizaram o trio elétrico com suas cordas de isolamento e abadás diferenciados. A manutenção da estrutura de um bloco de trio custa caro, encarecendo o custo na participação desses blocos. Por isso, somente aqueles que podem pagar caro, podem participar do carnaval de bloco. Isso promoveu a elitização do carnaval de rua outra vez, onde ricos brincam protegidos em blocos com cordas e seguranças e pobres e negros chamados pipocas que pulam atrás de trios independentes. O trio de blocos, no entanto, promoveu importantes mudanças benéficas para o carnaval de Salvador. Foi o bloco de trio que criou o axé music, estilo que popularizou a música negra baiana modificada em arranjos "eletrizados". O axé music teve grande aceitação não só na Bahia, mas em todo o país e expôs de maneira mais eficiente o carnaval baiano em redes de radio e televisão de todo o Brasil.
Segundo Miguez (1998) os blocos afros e de trio passaram a se organizar como empresas e a explorar o comércio fonográfico, da moda, da propaganda e etc. Com o passar do tempo, a entrada do artista baiano no mercado cultural nacional deixa de depender de sua ida para os estados do Sudeste. O produto cultural baiano atrai o mercado e o próprio estado passa a ser produto atraindo muitos investimentos em relação a produção cultural. Os artistas baianos passaram a fazer parte do mercado cultural nacional e internacional, a exemplo de Daniela Mercuri e o Olodum.
A passagem do carnaval folia para o carnaval negócio gerou a chamada indústria ou economia do carnaval, que produz bens e serviços simbólicos. Vende-se a alegria, a festa, a satisfação pessoal, a paixão, os romances, a beleza, a amizade e todo tipo de produtos lúdicos através de pacotes turísticos para as cidades de Salvador e outras com carnaval fora de época, como Feira de Santana. Mas, também produz bens e serviços não tão lúdicos, mas necessários e bastante rentáveis. Vendem-se roupas, bebidas, comidas, vagas em hotéis, transportes e muito mais. E os foliões compram tudo, compram das grandes empresas e dos vendedores ambulantes, geram renda para o comércio organizado e gigantesco chamado formal e para o não pequeno mercado informal.
Hoje, o carnaval baiano reúne mais de um milhão de pessoas nos horários de pico em 10 km de circuito oficial, que exige uma infra-estrutura cada vez mais eficiente. São centenas de shows, mais de 70 trios, banheiros públicos, postos médicos, postos policiais, restaurantes e hotéis a disposição dos foliões, turistas ou não, que gastam mais de 6 milhões de dólares na festa. Enfim, é uma rede de serviços que geram uma imensa quantidade de empregos e divisas para o estado. É uma enorme fonte de lucros e negócios sempre bem sucedidos, que beneficia principalmente as empresas ligadas ao turismo no estado da Bahia.
Salvador recebe no carnaval milhares de turistas que movimentam, junto ao folião baiano, milhões de reais todos os anos.
Histórico
Segundo Loiola e Miguez (1996), o carnaval teve origem no Entrudo, jogos e brincadeiras realizadas nos quatro dias anteriores a quaresma e que chegaram ao Brasil junto com os portugueses. No Brasil, o entrudo consistia numa guerra de limões, água, ovos ou farinha, uma brincadeira onde os menos favorecidos se divertiam e promoviam, algumas vezes, atos violentos e confusões. Mas havia também os grupos negros que levavam às ruas as danças e musicas africanos ou inspiradas na África. Essa festa era considerada desordeira e perigosa pela elite, pela imprensa e pela polícia que combatiam e tentavam acabar com o entrudo, por ser uma festa popular e de grande participação dos negros.
Em oposição ao entrudo, existiam na cidade do Salvador e nas principais cidades do estado, os bailes particulares realizados nos clubes ou nas mansões onde a elite baiana dançava ao som de polcas e óperas, ostentando riqueza nas roupas e jóias que usavam. Os pobres e os negros não podiam entrar nesses bailes onde a alta sociedade baiana se protegia da agressividade dos entrudos e imitava o estilo do carnaval europeu.
Essas duas situações criaram e mantiveram por muito tempo o carnaval dividido por classe e raça. Os pobres e negros eram mantidos na periferia da cidade enquanto os ricos se divertiam nos mais atrativos pontos e festas da cidade.
Nos últimos vinte anos do século XIX o carnaval começa a substituir o entrudo, dando aos festejos de rua características européias e elitizadas. Foi organizada uma campanha promovida por setores da sociedade como polícia e imprensa, para a mistura dos dois estilos de folia que resultou em uma festa particular. O novo carnaval era mais organizado que os entrudos, quase tão luxuosos como os bailes e mais coletivo que os dois. Na verdade houve uma elitização do carnaval de rua.
Essa mudança foi marcada pela ocorrência de desfiles carnavalescos promovidos e patrocinados pela burguesia comercial local. Esses desfiles transformaram o povo em mero espectador de carros alegóricos e luxuosas fantasias que tomavam, aos poucos, o lugar das brincadeiras do entrudo. São desse período três famosos grupos carnavalescos da alta sociedade baiana: Fantoches da Euterpe (1883), Cruz Vermelha (1884) e Inocentes em Progresso (1900). Estes blocos e outros que começaram a surgir, brigavam pela preferência dos populares apresentando roupas e carros cada vez mais luxuosos em desfiles organizados até em temas específicos. Esses desfiles resistiram até o inicio dos anos 60 perdendo, aos poucos, lugar para o carnaval participativo da Bahia.
Com o tempo, o carnaval de rua das elites foi substituído pelos grupos de foliões organizados e afoxés que forçaram a elite a voltar para os bailes de clubes e mansões. Então, as ruas voltaram a ser ocupadas pelos grupos pobres e mestiços como na época dos entrudos. A volta dos grupos negros ao carnaval e seu crescimento em participação , antes suprimidos pelos grupos carnavalescos, caracterizou a fase chamada de africanização do carnaval. Dessa forma, os negros nagôs organizaram o primeiro afoxé do carnaval baiano, o Embaixada Africana, seguidos dos Pândegos da África. Os grupos negros desfilavam mostrando as roupas, músicas e costumes africanos.
Esses grupos foram duramente criticados e perseguidos pela elite por meio da imprensa e da polícia que chegou a proibir qualquer manifestação da cultura negra acompanhada de tambores. Mas os afoxés persistiram em sobreviver às proibições e restrições, tornando-se símbolos da resistência negra contra o preconceito social e racial em Salvador.
Além dos afoxés também ocupavam as ruas as batucadas, espécies de orquestras ambulantes, que puxavam ou comandavam blocos e cordões de foliões organizados, os antecessores dos blocos de trio elétrico.
O carnaval de 1950 apresentou a mais importante inovação da festa baiana, que modificou completamente sua estrutura, dando-lhe as características tão particulares que lhe levaram ao sucesso. Em 1950, Dodô e Osmar, criaram o precursor do trio elétrico, um carro cheio de auto falantes ligados a instrumentos elétricos, chamado fobica, que tocava frevo pernambucano e movimentava os observadores. Eram chamados de "dupla elétrica", mas um ano depois a adesão de Aragão formou o "trio elétrico" - Dodô, Osmar e Aragão, nome que é dado hoje ao caminhão que carrega a banda a tocar pelas ruas da cidade.
O trio elétrico provocou uma revolução na festa de rua criando uma nova forma de brincar o carnaval: pular atrás do trio, dançando com movimentos livres e simples e ao mesmo tempo caminhando pelas ruas por onde o trio elétrico fosse passando. A partir de então, começou a ter fim o carnaval divido racial e socialmente, que separava ricos de pobres, negros de brancos, centro da periferia da cidade. O trio elétrico promoveu a conquista da rua, tornando-a comum a todos, um espaço igualitário onde não cabe a segmentação socio-racial. No entanto, o trio elétrico diminuiu a participação dos afoxés, superando-os em preferência junto ao folião. Durante algum tempo, trios e afoxés nem mesmo se encontravam e pouco se respeitavam nas ruas.
Segundo Loiola e Miguez (1996), é com o trio elétrico que o carnaval ganha características comerciais que marcaram a realização da festa, desde então. Por exemplo, o trio elétrico tornou-se um excelente veículo de propaganda e atraiu patrocinadores desde o ano de 1952.
Nos anos 70, o renascimento do Afoxé Filhos de Gandhi, fundado em 1949, marcou a volta dos blocos negros como importantes pecas na festa heterogênea do carnaval de rua em Salvador. Logo os blocos afros tornaram-se, junto com os trios elétricos, importantes símbolos do carnaval baiano, conhecidos e admirados pelo mundo inteiro.
A partir da metade dos anos 80, com o surgimento dos blocos de trio, o carnaval baiano adquire contornos de sua configuração atual, Torna-se uma grande fonte de emprego e renda para a população e passa a ser visto como um grande negócio pelas instituições públicas e privadas que se desenvolveram à sua volta.
Os blocos privatizaram o trio elétrico com suas cordas de isolamento e abadás diferenciados. A manutenção da estrutura de um bloco de trio custa caro, encarecendo o custo na participação desses blocos. Por isso, somente aqueles que podem pagar caro, podem participar do carnaval de bloco. Isso promoveu a elitização do carnaval de rua outra vez, onde ricos brincam protegidos em blocos com cordas e seguranças e pobres e negros chamados pipocas que pulam atrás de trios independentes. O trio de blocos, no entanto, promoveu importantes mudanças benéficas para o carnaval de Salvador. Foi o bloco de trio que criou o axé music, estilo que popularizou a música negra baiana modificada em arranjos "eletrizados". O axé music teve grande aceitação não só na Bahia, mas em todo o país e expôs de maneira mais eficiente o carnaval baiano em redes de radio e televisão de todo o Brasil.
Segundo Miguez (1998) os blocos afros e de trio passaram a se organizar como empresas e a explorar o comércio fonográfico, da moda, da propaganda e etc. Com o passar do tempo, a entrada do artista baiano no mercado cultural nacional deixa de depender de sua ida para os estados do Sudeste. O produto cultural baiano atrai o mercado e o próprio estado passa a ser produto atraindo muitos investimentos em relação a produção cultural. Os artistas baianos passaram a fazer parte do mercado cultural nacional e internacional, a exemplo de Daniela Mercuri e o Olodum.
A passagem do carnaval folia para o carnaval negócio gerou a chamada indústria ou economia do carnaval, que produz bens e serviços simbólicos. Vende-se a alegria, a festa, a satisfação pessoal, a paixão, os romances, a beleza, a amizade e todo tipo de produtos lúdicos através de pacotes turísticos para as cidades de Salvador e outras com carnaval fora de época, como Feira de Santana. Mas, também produz bens e serviços não tão lúdicos, mas necessários e bastante rentáveis. Vendem-se roupas, bebidas, comidas, vagas em hotéis, transportes e muito mais. E os foliões compram tudo, compram das grandes empresas e dos vendedores ambulantes, geram renda para o comércio organizado e gigantesco chamado formal e para o não pequeno mercado informal.
Hoje, o carnaval baiano reúne mais de um milhão de pessoas nos horários de pico em 10 km de circuito oficial, que exige uma infra-estrutura cada vez mais eficiente. São centenas de shows, mais de 70 trios, banheiros públicos, postos médicos, postos policiais, restaurantes e hotéis a disposição dos foliões, turistas ou não, que gastam mais de 6 milhões de dólares na festa. Enfim, é uma rede de serviços que geram uma imensa quantidade de empregos e divisas para o estado. É uma enorme fonte de lucros e negócios sempre bem sucedidos, que beneficia principalmente as empresas ligadas ao turismo no estado da Bahia.
